segunda-feira, 4 de março de 2024

Soneto: Transforma-se o amador na cousa amada

Transforma-se o amador na cousa amada

O seu coração caído no chão

Podre de solidão

Alma magoada


Vendo o fim da sua paixão

acaba em nada

Está a caminho do caixão

de si mesmo despojada


As consequências do desgosto

em que uma delas é a morte

E onde fica tudo exposto


Ao amador há que desejar sorte

porque já estamos em Agosto

e, para isto, é preciso ser forte


Ana Luísa Vasconcelos

Mafalda Fontinha

Maria Clara Alves

Maria Fonseca

Mariana Fernandes

Exercício de escrita - Prosa

 Tocaram à campainha. Nunca respondo quando tocam à campainha. Não estou à espera de ninguém, então finjo que não é comigo. Graças à minha mente neurótica, é preciso que a toquem três vezes para que eu me levante do sofá. E, mesmo assim, há dias que nem isso. Acomodei-me nesta solidão tão confortável. E a campainha? Continua a tocar.

Parou. Agora sim, posso finalmente voltar a ver o Preço Certo. Nem acredito que o Fernando Mendes perdeu tanto peso! Detesto o Fernando Mendes como detesto a campainha. Tocou a terceira vez, lá vou eu.

Pego no intercomunicador e digo "Alô?". Ninguém responde. Abro a porta e desço alguns degraus, até conseguir ver a entrada do prédio. Vejo uma mulher parada. Está bem vestida, mas parece assustada. Terá sido assaltada? Não, talvez não. Sorri para mim e faz-me sinal, como quem pergunta se se pode aproximar. Queria dizer que não, mas, como gosto de acreditar que sou boa pessoa... que suba!

Sobe e explica-me que foi, de facto, assaltada. Tenho um sexto sentido para estas coisas! Pede-me para usar o meu telemóvel, para chamar alguém que a venha buscar. Sou boa gente, de facto. Mas também vejo muitos filmes de suspense. Penso que pode ser uma armadilha e fico indecisa. Por sorte, tenho o telemóvel no bolso, mas percebo que está sem bateria. Então, lá tenho de a deixar entrar...

Tem uma postura rígida, como se estivesse em casa dela e fosse eu a desconhecida. Tem uns sapatos vermelhos que me começam a irritar ao bater no chão despido de tapetes. Faço uma nota mental para arranjar um ou outro tapete. Encontro o carregador, e ponho o telemóvel a carregar no quarto. Quando vou explicar-lhe que terá de esperar um momento, já que o telemóvel está a carregar, percebo que ela desapareceu completamente. Com ela, a televisão.

É por estas e por outras que ignoro a campainha.


Margarida

Marcela

Beatriz

Luísa

domingo, 3 de março de 2024

Soneto "Transforma-se o amador em cousa amada"

 Transforma-se o amador em cousa amada


Transforma-se o amador em cousa amada

Vai por todos os caminhos pensando

E entre todos imaginando

Quando dá por si, é alvorada.

 

Pela agitação vai caminhando

De consciência pesada

Todas as possibilidades imaginando

Até cair na encruzilhada.

 

Perdido, não sabe como sair

Desta existência angustiante

Sente-se a cair

 

Numa vida errante

Mas será que vai conseguir

Sair deste caminho triunfante?

 

Ana Luísa Vasconcelos
Mafalda Fontinha
Maria Clara Alves
Maria Fonseca
Mariana Fernandes

Exercício de escrita - Uma mosca sem valor

Uma mosca sem valor

pousa com a mesma alegria

na careca de um doutor

como em qualquer porcaria


E por mais que tente

pode nunca conseguir

pousar feliz e contente

na semana que há de vir 


Se na rua trovejar,

procura a nesga de uma janela,

mas vai sempre a pensar

na pobre vidinha dela.


Velha mosca sem valor

pousa na cesta de fruta

pousa cansada e sem rigor

continuando na sua luta


António Vicente

Beatriz Flores

João Narciso

sábado, 2 de março de 2024

Soneto "Metamorfoses"

Transforma-se o amador na cousa amada

Transforma-se o escritor na cousa escrita

Transforma-se o normal em cousa esquisita

Transforma-se o leitor na cousa lida


Transforma-se o mundo em cousa bonita

Transforma-se o estudante na cousa estudada

Transforma-se o parvo em cousa erudita

Transforma-se o selvagem em cousa domada


Neste universo em transformação

Onde tudo parece singular

Difícil é alcançar a perfeição


No fim, vai tudo ao ar

Perde-se a inspiração

E acaba-se a divagar...



Ana Luísa Vasconcelos
Mafalda Fontinha
Maria Alves
Maria Fonseca
Mariana Fernandes

Exercício de escrita de grupo em prosa

 (Sem título)

    A cena de crime fazia lembrar um Pollock. O jovem considerava-se imoral, penando com a faca entre os lamuriosos dedos. Quando menos esperava, entrou alguém no salão e o perigo instalou-se. O homem, tornado testemunha, congelou ao ver a cena e da forma mais anticlimática que o jovem alguma vez viu, desmaiou.

    – Não acredito que isto ganhou um Oscar – disse o meu irmão.

    – Cala-te, estamos quase a chegar à melhor parte! – respondi.

    – Não calo nada! Pouca vergonha! Quero ver o que é que o Lynch disse desta porcaria!

    – Shhhhh! – ouve-se do outro lado da sala.

    – Impressionante como a sociedade já não sabe respeitar uma boa conversa. O que é que queres? Eu também paguei bilhete como tu! Queres silêncio vai para casa, palhaço!

    Era por isto que não queria vir ao cinema com o Bruno, sabia bem como ele se ia comportar, mas o desejo de ver este filme tinha-se sobreposto ao meu medo. Agora estava a pagar o preço.

    Enterrei-me o mais que pude na cadeira e perguntei-me como é que aquele era o meu irmão. Mas, ao olhar para trás, já estava à bulha com a senhora idosa que reclamava.

    E nesse momento, desejei que fosse ele, o Bruno, jazido a sangrar naquela cena de crime.


Zagalo Pereira
Francisca Nóbrega
Vanessa Anjos
Joana Peres

sexta-feira, 1 de março de 2024

Soneto "Transforma-se o amador na cousa amada"

 Aqui fica um dos cinco sonetos que foram feitos em grupo, na aula de quarta-feira.


Transforma-se o amador na cousa amada


Transforma-se o amador na cousa amada,

Que de tanto querer

Sofre desde a primavera

Longas horas da madrugada.

 

O suspiro de uma alma sincera

Que há muito se sente amargurada

Nesta vida que é efémera

A cada dia uma batalha travada.

 

Chega, enfim, o dia

No qual se contempla distante

E não sabendo se desistia,

 

Vivendo na dor constante,

No meio da hipocrisia

Oh, que homem pedante!



          Ana Luísa Vasconcelos
Mafalda Fontinha
Maria Clara Alves
Maria Fonseca
Mariana Fernandes



Até sempre

 Terminado este ano, muito obrigada pelas partilhas, Rui Zink. Muita sorte a todos os que ainda vão entrar no mercado de trabalho.  Façam mu...