Agora que já tenho a vossa atenção, o lítio da edição junto com o Lecter ou o Leitor, talvez nos possamos focar em cumprir mais as boas regras e menos as más práticas – mas sem exageros.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2023
Atenção, leitores e serial killers!
Agora que já tenho a vossa atenção, o lítio da edição junto com o Lecter ou o Leitor, talvez nos possamos focar em cumprir mais as boas regras e menos as más práticas – mas sem exageros.
terça-feira, 12 de dezembro de 2023
Notas sobre públicos e mercados de Matthew Satdler
orientador.
"Reading can shape an economy. I call that practice "publication". (...) Publication is the creation of new publics in the culture of reading. It includes the production and circulation of books, the management of digital commons, and rich social life of gathering and conversation with books and readers. All of those activities together construct a space of conversation, a public space, which beckons a public into being. Shopping - which is the prevailing culture of our time, and which drives most of the choices now being made in the publishing industry - corrodes and evacuates publics. So real publication begins by quieting the noise of shopping.
The culture of shopping is pervasive. What exactly does it do for you? Shopping stages the repeated performance of the self along rigorously organized lines. The purchase is its pivotal moment. (...) The act of choosing becomes a repeated affirmation of your selfhood and liberty.
Shopping positions you alone in the spotlight, center stage, performing the correct, repeated display of your taste. It atomizes it. Shopping is the opposite of reading.
(...)
A plaza of holiday shoppers, no matter how crowded or busy, does not constitute a public. The atomized shoppers lack the crucial recognition of one another, the capacity to see each other and act in common. When we engage strangers as people, when we find ourselves partly by finding their selves, we catalyze a public. When we withdraw that recognition and categorically exclude or erase them, we retreat into something that is not public. Usually it is a market. The catalyzing or erasure of publicness is palpable. (...) In the spark of recognition, of common humanity across difference, you feel a public kindled; you feel its flame grow.
There is no preexisting public. Publics begin in willful actions, an invitation, an event. A public can arise in any defined space that is open to strangers - a street, a meeting hall, a plaza or a park, or a book - and is best supported by small, formally clear settings where there is an obvious treshold to be crossed. An invitation to join, literal or implied, is crucial. A good example is the cover of a book, which can be opened or closed.
We catalyze publics when we make and circulate books. The book held in a stranger's hand welcomes him into a space shared by others."
João Narciso
segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
Os quadradinhos não são infraliteratura!
Os quadradinhos (expressão do PT-BR para nos referirmos à banda-desenhada, graphic novels, etc.) a meu ver não são um género menor da literatura, tantas vezes visto como um parente pobre das letras que só serve para divertir o leitor. Deveríamos fazer como o Bart Simpson na abertura dos episódios dos Simpsons e escrever no quadro da escola tantas vezes quanto coubesse, que "os quadradinhos não são infraliteratura" para melhor interiorizarmos esta ideia.
O preconceito com este género literário, assim como com a literatura infantil e juvenil, parece impedir algumas franjas da sociedade de reconhecerem o seu mérito e capacidade para lidarem com assuntos sérios e delicados como a literatura de cariz mais tradicional.
Depois de ler The Tale of One Bad Rat, ocorreu-me um outro volume que lida com a mesma problemática de um modo ainda mais explícito e arrojado, reinventando o subgénero literário e cinematográfico dos vigilantes (um justiceiro por conta própria que protege os mais desprotegidos) com toques de fantasia. Chama-se Kill or be killed, sendo da autoria de Ed Brubaker.
Gosto bastante de ler BD e novelas gráficas de carácter violento e visceral mas nunca nada se aproximou do nível de violência e de brutalidade que li numa das páginas do primeiro volume de Kill or be killed, em que uma das personagens refere inocentemente os abusos que sofreu na infância sem ter sequer a percepção do mal a que havia sido sujeito.
O comic book é tão digno de interesse literário como qualquer outro género e modo porque a boa literatura não tem de seguir sempre os mesmos moldes tradicionais como a prosa tipo romance ou a poesia. O preconceito e desconfiança com que muitos o encaram faz-me sempre lembrar a eterna discriminação que a Academia dos Óscares faz com a comédia para o prémio de Melhor Filme.
Que se quebrem essas ideias pré-concebidas de que a BD são só super-heróis de capa a esvoaçar pela brisa do vento e de punhos na cintura com a sua típica pose imponente. E até esses nos ensinam a superar e a lidar com os nossos demónios interiores.
Que se acabe com o preconceito e censura social de um adulto ler Paddington em público até porque não é apenas sobre um ursinho que gosta de marmelade, mas sim uma curiosa parábola às crianças refugiadas da segunda guerra mundial que escaparam aos campos de concentração e desembarcavam no Reino Unido de mala na mão e placa ao pescoço para serem identificados.
Libertem os graúdos de todos esses estereótipos criados pelo mundo adulto e seremos todos mais livres!
Nota: Vale a pena não perder de vista a excelente publicação (de distribuição gratuita feita pela Fnac e de regime semestral) Bang! (https://revistabang.com/) lançada pela editora Saída de Emergência tanto em formato papel como digital. Dá a conhecer vários artigos de opinião, entrevistas e títulos de fantasia, ficção científica, quadradinhos e terror, sendo este um projecto editorial de grande qualidade mas que passa despercebido nas bancas. Promove o catálogo da editora mas também conhecimento, divulgando temas de discussão como a representatividade no mundo audiovisual e literário.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
Uma ode à criação e ao renascimento
Tanto a escrita como a edição são dois actos de criação, uma é primeira e a outra é a criação segunda. Existe ainda uma terceira criação feita pelo leitor, que com as suas experiências e história de vida ajuda a completar o sentido do livro através do gesto da leitura que também tem o poder de criar.
Depois de ler a banda desenhada, The Tale of One Bad Rat (de Bryan Talbot), percebe-se que existem paralelos de intertextualidade com um conto de Beatrix Potter. Encerra também em si uma forte carga de metalinguagem ao inserir esse mesmo conto no seio do próprio comics, como se fosse "a play within a play" do texto dramático Hamlet, estratégia literária essa que é também popularmente conhecida pela expressão francesa mise en abyme. O leitor passa assim a ler esse conto pelos olhos da protagonista, Helen. Tudo isso é criatividade na criação literária.
Gostaria de destacar que nas últimas páginas da banda desenhada existe ainda uma espécie de nota do autor com o sugestivo título Rat's Tail que funciona como uma terminação do discurso que se inicia nos bigodes do livro (Rat's Whiskers). Nesta nota de autor, Bryan Talbot ajuda o leitor a compreender o processo criativo da escrita, assim como os detalhes de funcionamento da parte editorial e da publicação que surgem em permanente diálogo com as ilustrações (cores, rostos, locais retratados que são reais, símbolos, etc).
The Tale of One Bad Rat é uma ode à criação literária porque segue a estrutura tripartida do storytelling (vou morrer sem saber traduzir esta palavra!) exemplarmente, tendo as palavras Town, Road e Country como símbolo da viagem externa e interna da personagem, que como um rato de cidade, encontra a paz na purificação do campo que está longe dos perigos dos atropelos da (pouca) civilização humana existente.
É também uma ode à edição dessa própria criação porque na cauda do livro o autor explica passo a passo como transformou a sua imaginação (com pinceladas de realismo porque o tema aqui tratado é cru e pesado) e a sua pesquisa em quadradinhos.
É acima de tudo uma ode ao renascimento de uma sobrevivente de um trauma de abuso sexual e de abandono na infância, tratada com o máximo respeito pelo autor. Não é uma BD fácil de digerir mas as letras e as imagens não tem de entreter sempre, devendo também alfinetar e desassossegar quem as lê com as duras realidades e com os horrores que outros vivenciam e que os cicatrizam.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
Até sempre
Terminado este ano, muito obrigada pelas partilhas, Rui Zink. Muita sorte a todos os que ainda vão entrar no mercado de trabalho. Façam mu...
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Como na próxima semana é feriado e não há aula, aqui fica um exercício facultativo de tradução com um poema de Raymond Carver:
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Esta quinta-feira, 9 de novembro, terá lugar no Brooklyn Lisboa a apresentação do livro O nome que a cidade esqueceu , o mais recente...
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Dia 5 de Novembro, pelas 16h teve lugar na Fnac do Colombo a apresentação do livro Coisas que escondemos dos outros de Lucy Score. A aut...






